Situação cotidiana:
“Você chega em casa no final da tarde de sexta-feira, toma seu banho relaxante depois de um dia cheio. Como já havia pensado, vai se arrumando no sofá para assistir aquele filme inédito que vai passar na TV a cabo. Quando começa o filme, o telefone toca:
- Irmão, aqui é o João. A paz…
- Oi irmão… Que mandas?!
- Estamos aqui na igreja e eu queria saber se você pode vir orar com a gente. Estamos levantando um clamor pelos irmãos doentes… Você vem?
- Então irmão, estou aqui envolvido num trabalho do curso de pós-graduação, daqui a pouco terei que buscar minha irmão no metrô e tenho que dormir cedo pois tenho compromisso amanhã logo cedo… Infelizmente não vai dar…
- Ok irmão, fica para próxima. Deus te abençoe ! Abraço!”
Sabe, não era bem isso que você estava fazendo e nem os compromissos você tinha mas foi automático inventar uma história ou mesmo modificar os compromisso que você teria para que eles gerem impedimentos para você não ir no lugar aonde não quer ir. Ser sincero começa a ser algo distante e o pecado algo automático e cotidiano.
O fato mais complicado é que todos nós temos estas pequenas atitudes que não são reconhecidas como pecados, muitas vezes. Quando alguém cai em pecado, nós vemos isso por algum escândalo ou fato estranho, brigas, drogas… Acabamos por ficar muito mais propensos a julgar os pecados “maiores” e desconsideramos quase que totalmente os “pecadinhos” do cotidiano.
Uma das maiores ironias é que quando somos questionados sobre estas atitudes, nós ficamos nervosos…! As desculpas são: “mas como eu faria outra coisa?”, “todo mundo faz!”, “você fica me julgando!”,”quem é você para falar isso…”.
Se a profundidade de nossa oração aumenta quando nossas misérias são devidamente reconhecidas, nós precisamos de uma revolução em nossa sensibilidade aos “pecadinhos cotidianos”.
Tiago H. Borges